Rio Branco e Omar abrem portas ao Guarani

Omar Najar e Ricardo Moisés, esta semana, no gabinete do chefe do Executivo

Sem autorização do prefeito Jonas Donizette para treinar em Campinas, em razão da pandemia do novo coronavírus, o Guarani encontrou refúgio em Americana. O Rio Branco e o prefeito Omar Najar abriram as portas para o time campineiro utilizar o Estádio Décio Vitta.

A princípio, os treinamentos deveriam começar de imediato, mas o governador João Dória frustrou os planos dos times que disputam a Série A1 do Campeonato Paulista e só liberou o retorno às atividades a partir do dia 1º de julho.

Ao receber a negativa de Jonas Donizette, o Guarani correu para Americana e rapidamente conseguiu local para treinar. O Rio Branco, em nome do bom relacionamento com o time de Campinas, segundo o presidente Gilson Bonaldo, não colocou obstáculos para liberar seu estádio.

O Guarani, segundo o dirigente, comprometeu-se a colaborar com a manutenção do gramado e, futuramente, até ceder jogadores ao time local para a disputa do Campeonato Paulista da Segunda Divisão Sub-23.

O processo na prefeitura de Americana também foi bem rápido. O Guarani protocolou toda documentação às 15h16 de terça-feira (16) e no início da noite a assessoria de imprensa do Poder Executivo confirmou ao O JOGO que já havia sido dada autorização para os treinamentos na cidade.

No mesmo dia, às 20h06, Omar postou em sua página no Facebook fotos com o presidente do Guarani e o seguinte texto: “Recebi hoje o presidente do Guarani, Ricardo Moisés. O clube está retomando os treinamentos e solicitou a utilização do Estádio Décio Vitta ao Rio Branco. A prefeitura e o comitê que trata da Covid não têm objeções, desde que as normas de segurança da pandemia estejam garantidas.”

Só em julho – Na quarta-feira (17), porém, o governador João Dória freou a volta dos treinamentos dos times que disputam o Paulistão. Ele determinou que as atividades sejam retomadas apenas no dia 1º de julho. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura de Americana, será seguido o protocolo do governo de São Paulo.

Em redes sociais, esportistas de Americana fizeram críticas ao prefeito Omar Najar por autorizar os treinos do Guarani na cidade e por, segundo eles, não se empenhar para liberação das atividades de equipes e academias locais.

Conforme a assessoria de imprensa da prefeitura, o entendimento é que a definição sobre autorizar (ou não) as atividades esportivas cabe ao governador.

De qualquer maneira, em virtude da posição de Dória, pode ser que, a partir de julho, o Guarani tenha autorização para treinar em Campinas e, desta forma, abdique da liberação que conseguiu em Americana.

 

Sinceridade???

Não vejo nenhum mal no fato do Rio Branco e da prefeitura de Americana liberarem o Estádio Décio Vitta para treinos do Guarani.

Vejo, sim, uma decisão totalmente desnecessária, que não acrescenta absolutamente nada ao clube presidido por Gilson Bonaldo e ao município comandado por Omar Najar.

Imagino que não tenha sido a intenção, longe disso, mas abrir as portas para um time de futebol de outra cidade soou, para muitos, como desrespeito às equipes e aos profissionais ligados ao esporte de Americana que vêm tentando retomar suas atividades e ainda não conseguiram.

Não há nenhuma compensação financeira para o Rio Branco e nenhum retorno esportivo para Americana com o Guarani – ou qualquer outro time – treinando na cidade durante a pandemia do novo coronavírus.

Pode não fazer mal, aliás, realmente não faz mal nenhum mesmo, mas é o tipo de situação que poderia muito bem ter sido evitada.

Por fim, quando tudo isso passar, que a prefeitura de Americana tenha a mesma agilidade e a mesma boa vontade para resolver os problemas do esporte amador local como teve para resolver essa situação do Guarani.

Zaramelo Jr., editor do O JOGO