Lendas do Futebol: Rodrigo Rodrigues

O inigualável Millôr Fernandes dizia que “Tem gente que só é homenageada depois da morte porque, em vida, ninguém teria a coragem de fazê-lo!”. Realmente, muitas vezes, desde os veículos de comunicação até nos papos de botequim, recém falecidos são “beatificados” por pesar, pieguice, “medo de assombração”, sei lá o que…

Rodrigo Rodrigues, nome composto de tanta sonoridade, não deve ser colocado nesta caixinha! Não que eu o conhecesse pessoalmente para dar meu testemunho. Apaixonado por futebol, pelos programas esportivos das várias emissoras, muitas vezes, repetitivos e previsíveis, já tinha notado, desde os tempos de ESPN, que RR era alto astral e espirituoso.

Conseguia ter uma postura alegre e positiva sem o “oba-oba” carioca. Era flamenguista roxo sem ser ufanista e arrogante! Era agradável assistir aos programas que ancorava, com muita leveza (acho que esta foi a palavra mais dita a respeito dele), embora representasse o clássico “gordinho engraçado” …

Mas, não é a minha impressão e a minha leitura sobre RR que vou me ater, mas àquilo que ouvi, sobre ele, das pessoas que conviveram com ele e da repercussão de sua morte em toda a mídia e, principalmente, nas emissoras pelas quais trabalhou! A tristeza de sua morte e a alegria das lembranças que deixou foram insistentemente concomitantes.

Dentre todas as manifestações de tantos amigos, me marcaram o choro de Juca Kfouri e de Antero Grecco! Dois homens e profissionais vividos, já maduros, acabaram por interromper seus depoimentos para chorar, como se tivessem perdido um filho ou um irmão mais novo…

Sempre me interessei por biografias! Sempre gostei de descobrir como era o lado humano de dos famosos e populares. Aprendi com elas, dentre outras coisas, a não julgar, de maneira açodada, pessoas por suas ações e tentar entender como o mundo as moldou. Não se trata de uma filosofia de relativizar vícios, mas do direito à defesa!

Tenho certeza de que Rodrigo acabará sendo biografado e, nela, constará seu lado humano irrepreensível e a capacidade de se reinventar, quando abandonou todo seu histórico profissional pregresso para se sentir feliz no que sempre gostou: o futebol!

Peço licença ao meu amigo Juca Franciscangelis, o Jota Junior, e reproduzir uma mensagem que deixei a ele, em sua caixa do Messenger a respeito de seu colega e amigo: “Que pessoa incrível! Pena que ele precisou morrer para o conhecermos melhor! Felizes as pessoas, como você, que puderam ter o privilégio de ter convivido com essa alma especial! Como Ayrton Senna, ele deixou a nossa convivência em sua plenitude, para que seus amigos nunca se esquecerem dele! A edição especial, de ontem, conjunta ESPN/SporTV ficará para a história!”…

Orestes Camargo Neves

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