Empresário de futebol vê prejuízo aos Estaduais

Neto representa jogadores de futebol no Brasil, Japão e China

O empresário de futebol Candido Santos Neto, que mora em Americana e representa jogadores que atuam no Brasil, Japão e China, disse ao O JOGO que, a princípio, o maior impacto da pandemia do coronavírus será nos Campeonatos Estaduais.

“Ainda não há definição quanto ao retorno dos campeonatos, mas é certo que o calendário vai se arrastar além do que estava inicialmente previsto, ao menos mais um mês. Aí que está o problema. Pelo que conversei com alguns dirigentes de clubes do Paulistão, muitos deles não têm fôlego financeiro para uma folha de pagamento a mais. Tem quem já escapou do rebaixamento que não vai segurar jogador”, contou.

De acordo com Neto, “jogadores que estão disputando o estadual por um time que não tem calendário cheio para o ano todo, já podem se transferir para outro que vai ter competição até novembro, dezembro. Isso significa que pode ser que alguns times não tenham jogadores suficientes para terminar o campeonato.”

Outro ponto destacado por Candido Neto é que “a tendência é que os Estaduais percam o interesse dos times grandes, que têm pela frente Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão. É bem complicado.”

Neto falou que na China e no Japão os clubes já estão voltando às atividades, inclusive com a realização de jogos-treinos. “Lá na Ásia, o impacto em termos de futebol foi bem menor, praticamente zero, tanto que os clubes sequer cogitaram redução salarial para os jogadores.”

Segundo o empresário, aqui no Brasil os clubes já apresentaram duas propostas para redução de salários, ambas recusadas pelos jogadores.

“Primeiro, os clubes queriam reduzir 50%. Depois, 25%. Os jogadores não aceitaram e não tem nada a ver com intransigência deles. Eles querem saber se os clubes tiveram redução no que arrecadam, pois não acham justo que eles (jogadores) tenham que pagar a conta sozinhos”, explicou.

“É um cenário confuso, complicado, pois para convencer os jogadores a reduzir seus salários, os clubes vão ter que abrir suas receitas para comprovar que tiveram queda de arrecadação. Acho bem difícil isso acontecer”, finalizou Neto.

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