Por lei do esporte, vereadores criticam secretário

Thiago Brochi, ao centro, falou em coragem e vergonha na cara

Durante a sessão solene da Câmara de Americana para entrega do prêmio “Destaques do Esporte”, terça-feira (3), os vereadores Thiago Brochi (PSDB) e Thiago Martins (PV) criticaram de forma dura o secretário municipal de Fazenda Ricardo Lopes Fernandes.

Segundo os parlamentares, Fernandes é o principal responsável pela lei de incentivo ao esporte não ter sido reativada na cidade antes de ser declarada inconstitucional pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), mês passado.

A lei é de dezembro de 1995 e proporcionou ao esporte de Americana, através do repasse de imposto de empresas, tornar-se referência tanto com equipes de alto rendimento como em projetos de escolinhas e categorias de base.

O corte do repasse às modalidades começou nos últimos meses do segundo mandato do prefeito Diego De Nadai e foi totalmente extinto quando Omar Najar assumiu o comando do Poder Executivo. Recentemente, no lançamento de projeto esportivo no campo de futebol do bairro Jardim São Paulo, Omar falou que a lei seria reativada, mas o ministro Fux frustrou os planos com a declaração de inconstitucionalidade da mesma.

A “bronca” de Brochi e Martins com Fernandes é em razão, segundo os vereadores, do secretário ter dificultado a reativação da lei desde que assumiu o cargo. “Lá atrás, quando ficou sabendo da lei, ele foi até o prefeito e pediu o cancelamento. Ele é o inimigo número 1 do esporte, não fez absolutamente nada para ajudar, pelo contrário, só atrapalhou. Ele conseguiu destruir uma lei que era extremamente importante para o esporte”, afirmou o tucano.

“Para que Americana volte a ser referência esportiva, falta a lei de incentivo, mas era preciso ter coragem e vergonha na cara para colocá-la em prática e o secretário não teve. Temos ótimos atletas, professores e empresas, mas ele não olhou com olhos pensando num contexto geral”, acrescentou Brochi.

“Não é nada fácil ser esportista em Americana, ficar vendendo pizza, fazendo festa para se sustentar. Com a lei de incentivo, teríamos um cenário diferente, totalmente favorável”, concluiu.

Clique aqui e confira o programa O JOGO NA TV desta semana

“O esporte de Americana vem sofrendo há anos e não há apenas 6 meses. No governo Omar, há dificuldades. O secretário (de Fazenda) barra muito, trava o sistema, talvez porque não seja de Americana e não tenha pela cidade o mesmo carinho que todos nós temos, ou porque trabalha em cima de números só para mostrar ao prefeito”, criticou Martins.

“Apesar dessa postura do secretário, não vamos cansar de lutar. Já estamos discutindo com o Jurídico da prefeitura um projeto para ajudar o esporte, pois se ficarmos só aguardando, (o esporte) não vai andar”, afirmou.

O secretário municipal de Esporte, Lazer e Juventude, Eudaldo dos Santos Cardoso, o Paraná, também participou da sessão solene e, em seu discurso, citou a lei de incentivo. “Todos sabem das nossas dificuldades financeiras para tocar o esporte. A (extinção da) lei prejudica muito. Temos déficit de professores e não conseguimos contratar”, falou.

“Temos um complexo esportivo de primeiro mundo, mas que está precisando de manutenção e não há dinheiro”, acrescentou o secretário numa referência ao Centro Cívico, no Jardim da Colina. “Agradeço publicamente aos vereadores que têm nos procurado e que estão empenhados em ajudar o esporte”, finalizou.

A assessoria de imprensa da prefeitura de Americana informou que o secretário Ricardo Lopes Fernandes não comentará as críticas dos parlamentares do PSDB e PV.